Chamamos de peçonhentos todos os animais que possuem veneno e que podem inoculá-lo, prejudicando a saúde do homem.
Entre os animais peçonhentos mais perigosos estão as cobras. As picadas atingem 80% as partes do corpo localizadas abaixo dos joelhos e 19% atingem mãos e antebraços.

Serpentes de maior importância no Brasil

Acidentes com cobras
As serpentes peçonhentas são responsáveis por muitos acidentes em nosso país. Podem, de acordo com a quantidade de veneno introduzido, matar ou incapacitar o acidentado, quando não
socorrido em tempo hábil e tratado de forma correta com a aplicação dos soros apropriados. As
vítimas mais comuns são trabalhadores rurais.Veja a seguir os tipos de serpentes e como vivem.


Jararacas (gênero Bothrops)

São as serpentes responsáveis por cerca de 90% dos acidentes ofídicos registrados no país. 'Também conhecidas por "jararacuçu", "urutu", "jararaca do rabo branco", "cotiara", "caicaca",
surucucurana","patrona","jararaca-pintada","preguiçosa" e outros.




Características: Coloração variada com padrão de desenhos semelhantes a um ''V'' invertido. Corpo fino medindo aproximadamente um metro de comprimento. Possui fosseta loreal (orifício localizado entre o olho e a narina). A cauda é lisa e afilada.
Habitat: É encontrada principalmente nas zonas rurais e periferia de grandes cidades, em lugares úmidos e em que haja roedores (paióis, celeiros, depósitos de lenha etc.).
Distribuição geográfica: Encontrada em todo o território brasileiro.
Sintomas após a picada: Dor, inchaço e manchas arroxeadas na região da picada. Pode haver sangramento no local, e em outras partes do corpo, como nas gengivas, ferimentos recentes e  urina. É possível haver complicações, como infecção e morte do tecido (necrose) no local picado. Nos casos mais graves, os rins param de funcionar.
Tipo de soro: Antibotrópico ou antibotrópico-laquético.
Surucucu (gênero Lachesis)


Responsável por cerca de 1,5% dos acidentes ofídios registrados no país. Também é conhecida por ''surucucu pico de jaca'', ''surucutinga'', ''malha-de-fogo'' e outros.




Características: É a maior das serpentes peçonhentas das Américas, medindo até 3,5. Possui fosseta loreal. As escamas da parte final da cauda são arrepiadas, com ponta lisa.
Habitat: Florestas densas.
Distribuição geográfica: Encontrada na Amazônia e nas florestas da mata Atlântica, do estado do Rio de Janeiro ao nordeste.
Sintomas após a picada: Dor e inchaço no local; semelhante à picada da jararaca. Pode haver sangramentos, vômitos, diarreia e queda da pressão arterial.
Tipo de soro: Antilaquético ou antibotrópico-laquético.

Cascavel (gênero Crotalus)

É responsável por 8% dos acidentes ofídicos registrados no país. Também é conhecida por ''maraboia'', ''boicininga'', ''boiquira'', ''maracá'' e outros.
Características: Coloração: marrom-amarelada e corpo robusto, medindo aproximadamente um metro. Possui fosseta loreal e apresenta caracteristicamente chocalho ou guizo na cauda. Não tem por hábito atacar e, quando ameaçada, começa a balançar a cauda, emitindo o ruído do chocalho ou guizo.
Habitat: Campos abertos, áreas secas, arenosas ou pedregosas. Encontrada em algumas plantações, como café e cana.
Distribuição geográfica: Encontrada em quase todo o território brasileiro, com exceção da floresta amazônica (apesar de já ter sido relatada a presença em locais de campos abertos), zona da mata atlântica e regiões litorâneas.
Sintomas após a picada: No local quase não há alterações. A vítima apresenta visão borrada ou dupla, pálpebras caídas e aspecto sonolento. Pode haver dor muscular e a urina torná-se escura algumas horas depois do acidente. O risco de afetar os rins é maior do que nos acidentes com jararaca.
Tipo de soro: Anticrotálico.

Coral (gênero Micrurus)

É responsável por cerca de 0,5% dos acidentes ofídicos registrados no país. Também conhecida por ''coral verdadeira'', 'ibiboboca'', ''boicorá'' e outros.
Características: São serpentes de pequeno e médio porte, com tamanho em torno de um metro. Não possuem fosseta loreal. Seu corpo é coberto por anéis vermelhos, pretos, brancos ou amarelos. Na região amazônica existem algumas espécies com padrão diferente, como, por exemplo, branco-e-preto. É importante prestar bastante atenção nas cores da coral. Em todo o país existem serpentes não venenosas com coloração semelhante a das corais verdadeiras: são as falsas-corais.
Habitat: Vivem no solo sob folhagens, buracos, entre raízes de árvores, ambientes florestais e próximo de água.
Distribuição geográfica: Encontradas em todo o território brasileiro.
Sintomas após a picada: No local da picada não se observa alteração importante, porém a vítima apresenta visão borrada ou dupla, pálpebras caídas e aspecto sonolento. Pode haver aumento na salivação e insuficiência respiratória.
Tipo de soro: Antielapídico.

Como prevenir acidentes

Antes de mais nada é importante saber que, conforme disposto na norma regulamentadora 31.20, aprovada através da portaria n°86, de 3/3/2005, do ministério do trabalho, o empregador rural ou equiparado é obrigado a fornecer gratuitamente aos empregados equipamento de proteção individual (proteção para os pés, pernas, braços, mãos e outros). Leia com atenção as dicas para evitar acidentes com serpentes peçonhentas:

Use sempre botas de cano alto ou botinas com perneiras, bem como luvas de raspa de couro e/ou mangas de proteção nas atividades que ofereçam riscos para os braços e mãos.

É importante saber que:

O uso de botas pode evitar 80% dos acidentes e o uso de sapatos comuns pode evitar até 30% dos acidentes.

Para evitar a presença das serpentes nas proximidades da residência, é importante realizar a limpeza das áreas ao redor da casa, paiol ou plantação, eliminando montes de entulho, acumulo de lixo ou de folhagens secas e alimentos espalhados no ambiente. Estas medidas evitam a aproximação de ratos, pois, como se sabe, são o principal alimento das serpentes.

Sempre que for remexer em buracos, folhas secas, vãos de pedras, ocos de troncos ou caminhar pelos campos, use um pedaço de pau ou graveto. Eles ajudam a evitar acidentes.

Não se deve segurar as serpentes com as mãos. Mesmo quando mortas, suas presas continuam sendo um risco de envenenamento.

Medidas a serem tomadas em caso de acidentes

  • Não amarre o braço ou perna acidentada. O torniquete, ou garrote dificulta a circulação do sangue, podendo produzir necrose ou gangrena e não impede que o veneno seja absorvido.
  • Não adianta chupar o local da picada. É impossível retirar o veneno do corpo, pois ele entra imediatamente na corrente sanguínea. A sucção pode piorar as condições do local atingido.
  • Não coloque folhas, querosene, pó de café, terra, fezes e outras substâncias no local da picada, pois elas não impedem que o veneno vá para o sangue. Ao contrário, podem provocar uma infecção, assim como os cortes.
  • Evite que o acidentado beba querosene, álcool e outras substâncias tóxicas que, além de não neutralizarem a ação do veneno, podem causar intoxicação.
  • Mantenha o acidentado deitado, em repouso, com a parte atingida em posição mais elevada, evitando que ele ande ou corra.
  • Retire anéis, pulseiras ou  qualquer outro objeto que possa impedir a circulação do sangue.
  • Leve imediatamente o acidentado ao serviço de saúde, para que ele receba soro e atendimento adequados.
  • O soro, quando indicado, deve ser aplicado o mais breve possível e em quantidade suficiente, por profissional habilitado. Deve ser específico para a serpente que o picou. Ex.: o soro antibotrópico para picadas de jararaca não é eficaz para picadas de cascavel (deve ser o soro anticrotálico) ou de coral (soro antielapídico).



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